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Crónica Semanal: A Voz da Pantera



VITÓRIA MERECIDA, ASSENTE NUMA ESTRATÉGIA BEM DELINEADA.





O Boavista conseguiu nesta 13ª jornada, a sua primeira vitória fora, o que se revela de grande importância no futuro do Xadrez neste campeonato.


A média de um ponto por jornada, cumpre o objetivo que todos anseiam, a manutenção na 1º liga. Neste último jogo (com o V. Setúbal) a estratégia utilizada assenta num bloco defensivo baixo, com Leozinho solto na frente. Revelou-se a chave, bola nos pés do Brasileiro era sinônimo de perigo para a baliza dos Sadinos.


Em qualquer jogo, quem defende bem está sempre mais próximo da vitória. Assim o Boavista conseguiu no Dragão e em Setúbal, com um esquema defensivo bem organizado, assente num bloco seguro, com transições rápidas, iniciadas por Leozinho (o grande estratega da equipa neste jogo), secundado por Zé Manuel, sempre com a baliza contrária em mente. Deste modo, construiu-se uma vitória oportuna e de grande significado para o grupo, assim como para todos os Boavisteiros.


Creio que poucos pensavam que nesta altura o Boavista tivesse 13 pontos. Devido ao calendário inicial com um grau de dificuldade enorme, o Boavista acabou por adaptar-se a esta realidade e com uma equipa em permanente construção lá vai caminhando rumo à manutenção.


De lamentar a lesão de Correia que no seu regresso à competição voltou a ressentir-se de novo (tendo de ir à "faca" desta vez). Fazemos votos que tudo corra bem e que regresse o mais rápido possível, pois o Boavista precisa de jogadores como ele.


Uma palavra para Petit: Tem feito de tudo para conseguir o melhor esquema para os jogadores que tem à sua disposição. Com dedicação e persistência, vai conseguindo amealhar os pontos fundamentais para assegurar a manutenção. A equipa tem défice de experiência ao mais alto nível de futebol Português e o seu treinador também faz o seu batismo ao mais alto nível. Com toda experiência acumulada como jogador, ser treinador o grau de exigência é muito maior, e nestes 13 jogos, Petit, tem dado uma resposta bastante positiva, com trabalho, empenho e dedicação vai conseguindo levar o barco para "águas tranquilas".


A VOZ DA PANTERA

INVASÃO a Moreira de Cónegos


Dia 21 Dezembro (próximo DOMINGO) o Boavista irá jogar contra o Moreirense no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas.
Todo o apoio será fundamental para ajudar o Mágico Xadrez a trazer os 3 pontos!

Por isso, foi marcado para as 13h de Domingo, dia 21 Dezembro, uma concentração tanto de claque (Panteras Negras) como de todos os Boavisteiros e simpatizantes, em São Bento, para seguirmos rumo a Moreira de Cónegos.

O bilhete de campo poderá ser adquirido na secretaria do Estádio do Bessa pelo preço ÚNICO de 7,50€ (para associados com as quotas em dia), podendo também ser adquirido junto da claque por 7,50€.

Qualquer dúvida poderão contactar-nos por email (panterasnegrasmatosinhos@gmail.com) ou pela nossa página do Facebook (htttp://fb.com/APanteraVoltou)

Relembramos, TODO O APOIO É FUNDAMENTAL para conseguirmos atingir o objetivo que será os 3 pontos! Façam parte dessa vitória!

A Voz Da Pantera: Crónica Semanal




Boavista sempre penalizado nos jogos fora...


A história deste jogo resume-se aos 15 minutos iniciais da 2ª parte, onde as decisões da equipa de arbitragem, destruíram por completo o trabalho da equipa axadrezada.
Por muito que uma equipa lute e trabalhe, as decisões de um árbitro, quando parciais, acabam sempre por ter influência no rendimento de uma equipa, e na decisão de um jogo, sendo isto o que aconteceu na Madeira.


Depois de uma primeira parte bem conseguida, embora tenha sofrido um auto-golo nos primeiros minutos, o Boavista, mesmo assim, teve maior domínio de jogo: 53% de posse de bola contra 47% do Marítimo, mais remates e mais cantos a favor.
Estes dados do primeiro tempo, criavam expectativas para a etapa complementar, sendo mesmo materializadas mas em vão: golo anulado a José Manuel, o que deixou muitas duvidas no estádio, mas que a TV demonstra que foi mal invalidado. Seguiram-se 12 minutos que destruíram qualquer possibilidade do Boavista recuperar, 3 expulsões, Philipe Sampaio, Beckeles e Mika, com o Marítimo a elevar para 3-0 com dois golos de penalty, coisa rara nos campeonatos profissionais em Portugal.


Em 12 minutos o Boavista ficou destruído, quando faltavam cerca de 20 minutos para o final da partida.
Este era um jogo importante para as duas equipas, ambas com objetivos diferentes. O Marítimo luta pela Europa e o Boavista tenta assegurar a manutenção na 1ª liga, que foi desequilibrado pelo trabalho de Paulo Baptista nessa dúzia de minutos.


A imprensa que comentou este jogo, considera que Paulo Baptista decidiu bem no campo disciplinar, que aplicou bem a lei, no entanto, todos, mas todos consideram mal anulado o golo a José Manuel. E aqui coloca-se uma grande questão: fazendo o Boavista o empate, a história daqueles 12 minutos de inicio de 2ª parte seria a mesma? Estou em crer que não.


Se a tarefa de conseguir a manutenção já é enorme, com arbitragens que em caso de dúvida prejudicam sempre o Boavista, vai tornar-se gigantesca. Aqui os boavisteiros têm que estar unidos como nunca, esta é a época mais complicada da história do Boavista. Parece que há grande interesse que a Pantera não  recupere da hibernação a que foi sujeita durante 6 anos penosos.


Uma última nota: na apreciação dos casos de arbitragem no Tempo Extra, nem uma palavra ao jogo Marítimo - Boavista! Fantástico como um jogo em que uma das equipas termina com 8 jogadores, coisa raríssima na liga portuguesa, não mereceu de Rui Santos uma nota. A verdade desportiva que tanto reclama é só no que aos três grandes diz respeito.


A Voz da Pantera

Reportagem "As páginas perdidas da história do Boavista"



Por: António Reis (Observador.pt)

O dia-a-dia dos últimos seis anos num clube que pediu pão, queijo e fiambre. E bolas de futebol. Que pediu camisolas, meias e calções. Que procurou restaurantes com almoços inferiores a 10 euros.

Prólogo e epílogo
Entre Maio de 2008 e Junho de 2014 apenas duas secções resistiram à hecatombe: o boxe e o ciclismo. O futebol foi ao tapete. E pior: nas etapas que se seguiram, o futebol perdeu a pedalada e foi ficando para trás, ficando para trás, não mais saindo das proximidades do carro vassoura. Até que a justiça desportiva, por intermédio da justiça civil, galopando sobre prémios de montanha e metas volantes, num derradeiro sprint, colocou o Boavista de novo no pelotão da frente. Ninguém sabe ao certo com que andamento lá chega. Vai ser preciso abrir o melão.

Capítulo 1 – A bola
Quando já faltava dinheiro, dinheiro para tudo, dinheiro para gasóleo e para comida, quando já faltava dinheiro para ter aquele talento e fazer melhor em campo, quando nem detergente havia para lavar os equipamentos, quando parecia que já não podia faltar mais nada, foi quando começou a faltar o elemento mais nuclear do jogo: a bola.
Uma vez, em Moreira de Cónegos, num treino, tão importante como a confecção da táctica ou o apuro da técnica, tão importante como um golo para o ponta-de-lança ou uma defesa para o guarda-redes, tão importante como essas vertentes todas do encontro, era, para o roupeiro do Boavista, conseguir sair do campo do Moreirense com mais uma bola na bagagem. No Boavista, campeão nacional em 2001, ainda antes da década da conquista do título, o desespero chegou a esse ponto com diâmetro de 22 centímetros, à bola. Não que já não houvesse nenhuma para treinar, não era ainda esse o caso, mas andava lá perto, havia cada vez menos, já tinham começado a ser poucas para o plantel.
Uma bolinha aqui, uma bolinha ali, o Boavista, no limiar da sobrevivência, foi trazendo o futebol de volta a casa
O exemplo de Moreira de Cónegos, bem sucedido, foi decalcado noutras paragens, até mesmo em jogos oficiais da 2ª Divisão B. Jogar fora de casa e pedir a bola do jogo. Uma bolinha aqui, uma bolinha ali, o Boavista, no limiar da sobrevivência, foi trazendo o futebol de volta a casa. E em cada bola mais um treino, mais um remate, mais uns dias de ilusão.
Capítulo 2 – O corpo
O futebol está cheio de duas coisas: treinadores de bancada e lugares-comuns. Na segunda hipótese desta tese, os lugares-comuns, expressões como “comer a relva” ou “fome de bola” estão sistematicamente na ponta da língua. Cumprem a preceito a função do narrador, seja o narrador figura encartada (jornalista), seja o narrador treinador de bancada (adepto), todos o vão entender. Já se perceberá que o futebol passa muito bem sem frases feitas.
Cipriano Santos foi chamado ao clube em 2004. Função: responsável pela sala do pequeno-almoço. Orçamento mensal: 400 euros. Era todo o dinheiro que um plantel profissional conseguia, e podia, comer na altura, cumprindo à risca os pressupostos nutritivos do alto rendimento desportivo na primeira refeição do dia. E a seguir, equipar, palestra, massagista e treino. E assim sucessivamente.
O pequeno-almoço da equipa estava a cargo de Cipriano Santos. A partir de certa altura a imaginação foi o alimento principalObservador
Lá veio o dia em que esta rotina, à semelhança de tantas outras, também desceu de divisão, mingou. Os quatrocentos euros de orçamento para o pequeno-almoço passaram a ser zero euros para o pequeno-almoço. Começou a faltar pão, queijo, fruta, sumos. A mesa vazia, mais um problema para resolver. Cipriano, com o tempo transformado em bombeiro de serviço, foi parte da solução: “a Dona Lurdes, da Badalhoca, dava o pão. O pai de um atleta trazia o queijo. Havia sempre um amigo do clube que arranjava o que fosse preciso para não faltar nada aos jogadores”. Faltou também o café à mesa: “pouca gente sabe, mas o senhor Rui Nabeiro foi e é um grande amigo do Boavista. Quando vem ao Porto fica aqui perto num hotel. Ele gosta muito de fazer uma corrida matinal, mas não gosta do ginásio nem de andar no meio da rua a correr. Quando vinha do Porto telefonava para cá e nós no dia seguinte estávamos a abrir as portas do estádio às seis da manhã, para que ele, às sete, pudesse vir dar uma voltas ao campo”. E voltou a haver café no Bessa.
O empresário Rui Nabeiro foi determinante para que o café não faltasse no pequeno-almoçoObservador
Durante esse período os jogadores foram muito criticados pela prestação desportiva menos conseguida, aquém das expectativas de um nome grande do futebol português. Quem viveu a experiência por dentro diz que houve alturas em que os jogadores não podiam dar mais, a alimentação dos atletas não era a mais adequada para atletas da sua condição: “os jogadores não rendiam porque não se alimentavam em condições”. Alguns, sem dinheiro, pediam logo ao pequeno-almoço uma ou duas sandes para levarem para casa. Neste cenário, a pressão dos adeptos não abrandava. Se a equipa perdesse um jogo sem demonstrar raça em campo, os jogadores tinham os adeptos à porta do estádio.
Outras dificuldades surgiram neste percurso da pantera pelo submundo do futebol nacional. Pelo menos quatro jogadores, sem casa, dormiam na sala de estágio. E ao jantar o restaurante do Ténis oferecia comida, os restos do almoço.
Capítulo 3 – O equipamento
Emblema centenário não tem camisola para ir a jogo. Podia ter sido título de jornal se o clube não estivesse tão longe da ribalta, logo tão longe das rotativas. No ano da descida de divisão as marcas de equipamentos ainda acreditavam na força da marca Boavista. Chegou-se à frente a italiana Kappa, um gigante mundial de equipamentos desportivos, que levou a melhor sobre a concorrência.
Diz-nos uma fonte da estrutura axadrezada que nos anos seguintes as marcas não queriam estar associadas ao Boavista. Começou por não haver patrocínio nas camisolas para depois não haver sequer camisolas oficias. Um empresa portuguesa, sediada em Vila Nova de Famalicão, resolveria o assunto. A empresa chama-se “Treze”. Foi a sorte do Boavista, que passou a ter dois equipamentos de treino e dois equipamentos de jogo.
Por falar em equipamentos, quem acabou por ser determinante neste capítulo foi também o dentista do clube. Conseguiu arranjar cuecas e camisolas interiores para todo o plantel.
"Muitas vezes os directores metiam gasóleo com dinheiro do próprio bolso. Não havia dinheiro para tudo".
A história da manta que é curta e não consegue tapar o corpo todo, também ela uma frase feita da narração desportiva, remata para golo este capítulo do equipamento. Havendo camisola, calção e meias, deixou de haver detergente para os lavar. Palavra passou palavra, a situação chegou aos ouvidos de um amigo de um amigo e o amigo do amigo passou a “patrocinar” os detergentes e a lavandaria voltou a funcionar que foi uma limpeza.
Capítulo 4 – A despesa
A descida às ruas da amargura prosseguiu em ritmo vertiginoso. O autocarro, adquirido após a conquista do título nacional, seria penhorado a meio da época 2010/2011. Há quem diga que se tratou de um golpe duríssimo: “o autocarro tinha um simbolismo tremendo. A solução passou pelo aluguer. Muitas vezes os directores metiam gasóleo com dinheiro do próprio bolso. Não havia dinheiro para tudo”.
Mais cedo ou mais tarde, todos os meses, aparecia uma má notícia na caixa do correio: a conta da luz. As facturas chegavam com valores nunca inferiores aos 12 mil euros e a mais alta atingiu aos 15 mil. Ainda hoje se fala, nos corredores do Bessa, das infindáveis reuniões para renovar contratos e evitar o corte da electricidade. Toda a formação treinava, e treina, à noite. E a formação tem mais de duas dezenas de equipas.
Durante algum tempo, esta foi a fatura mais alta. Com o acordo para resolver a dívida à segurança social e ao fisco, o clube ficou agarrado a outra renda fixa. A informação surge de alguém ligado ao processo, mas que prefere manter o anonimato. A informação revela que nos próximos 150 meses o Boavista, cumprindo o acordo, paga 120 mil euros por mês.
A parada pode aumentar, à luz de um acordo assumido com funcionários e ex-atletas. Destes, quatro em cada cinco, olhando ao momento aflitivo do clube, concordaram em esperar por melhores dias para cobrar a dívida. Quer isto dizer que daqui a dois anos o Boavista terá um novo encargo fixo de 120 mil euros, diz a mesma fonte.
A colossal contenção de custos, produzida pela(s) descida(s) de divisão, e pelas dívidas acumuladas, resultou num brutal emagrecimento da massa salarial dos atletas. Os jogadores mais caros do plantel, apenas cinco ou seis, recebiam mil euros por mês, e nem mais um cêntimo. Os restantes recebiam entre 150 ou 300 euros por mês. E como é que se construíam plantéis por estes valores? “Passava por fazê-los acreditar na subida e no processo de recuperação financeira do clube. Se fizessem uma boa época, iam conseguir melhores contratos noutros clubes”.
Para fazer face às despesas, vários amigos do clube se chegaram à frenteObservador
O dia de jogo, para lá do jogo, trazia um desafio suplementar, que era o de alimentar convenientemente os 18 convocados. Em casa, o proprietário do restaurante do estádio emprestava sala de refeições e cozinha. “Havia sempre quem trouxesse umas coxinhas de frango e esparguete. Resolvíamos bem o problema”. O recurso às fontes é constante. Pela delicadeza dos assuntos.
Os responsáveis do futebol, para lá do futebol, durante a semana tinham uma tarefa extra, a de procurar restaurantes que ficassem a caminho do estádio onde o Boavista ia jogar. Feita a triagem, pegavam no telefone e ligavam para reservar mesa. Mas só reservavam no restaurante que cobrasse menos de dez euros por cabeça ao almoço.
Despesa extra e pontual: por norma os clubes de futebol são compensados financeiramente pelas transmissões televisivas, mas neste caso não. Neste caso foi precisamente ao contrário. Neste caso o Boavista pagou 750 euros ao Porto Canal por cada jogo transmitido em directo. A direcção do clube acreditava que a exposição podia potenciar o negócio e trazer outra liquidez aos cofres.
Capítulo 5- O dinheiro
O dinheiro foi um milagre que aconteceu todos os dias, diz-nos uma das pessoas que se predispôs a juntar as páginas perdidas da história do Boavista. Outra testemunha dos dias traumáticos do xadrez, e que deixou vir o nome ao texto, sem ter tido conhecimento da sentença que dá início a este capítulo, atira um exemplo que lhe dá conteúdo. Gouveia foi campeão nacional no Bessa e regressou ao clube para treinar os juniores. “A equipa tinha 9 pontos em 9 jogos. Depois tivemos 14 vitórias consecutivas e subimos de divisão”. Um dos miúdos do plantel tinha abandonado o futebol e aceitou regressar quando Gouveia assumiu o comando técnico da equipa. O miúdo chama-se André Gomes. Foi titular nos seniores quando tinha idade para cumprir o primeiro ano de júnior. Deu nas vistas e foi transferido para o Benfica. Permitiu um encaixe financeiro importante. No Bessa há quem lhe chame milagre. Nessa primeira experiência sénior, André Gomes, recentemente contratado pelo Valência, fez parte do Boavista que mais perto esteve do regresso ao futebol profissional: “fui convidado para treinar os seniores. Nos últimos 8 jogos não tivemos derrotas nem sofremos golos. Ficámos empatados no primeiro lugar com o Padroense, que foi disputar o play-off da subida por ter um melhor goal-average”, recorda o treinador Gouveia.
O “milagre” André Gomes traz à memória a questão dos direitos de formação. Durante os anos de crise continuou a entrar no Bessa dinheiro relativo à venda de jogadores. Raúl Meireles, Bosingwa, Hugo Almeida e Ricardo Costa, de cada vez que mudavam de clube tiravam a conta-corrente do Bessa do zero. “Sem direitos de formação, o clube teria caído”. Isto foi-nos dito mais do que uma vez ao longo desta investigação.
Raúl Meireles, Bosingwa, Hugo Almeida e Ricardo Costa, de cada vez que mudavam de clube tiravam a conta-corrente do Bessa do zeroObservador
Para fazer face às despesas, vários amigos do clube se chegaram à frente. Um só donativo garantiu os 12 mil euros necessários para a inscrição da equipa de sub-19. Jaime Pacheco e o falecido Vitor Nóvoa evitaram o corte da luz e pagaram entre eles uma conta daquelas de milhares de euros. Um patrocinador brasileiro pagou o alojamento dos atletas da formação. Outro ofereceu balizas e redes. Outro ofereceu 50 mil euros ao clube. Outro deu tintas. E ainda houve mais um que deu contentores para os balneários do campo de treinos.
O Bingo. O Bingo, enquanto deu, também ajudou à crise, mas entretanto, o Bingo, também ele encontrou as suas próprias dificuldades e deixou de ajudar.
Capítulo 6 – A enfermaria
A crise, se passou por lá, pela enfermaria do Bessa, nenhum jogador a terá sentido. Várias vozes conhecedoras do processo coincidem no mesmo ponto: “ali nunca faltou nada”. Dizem, juram a pés juntos, que ali nunca faltou um médico, um exame, uma consulta. Terá estado, no departamento médico, o lado mais profissional de um clube em apuros. Pelo cruzamento de confidências várias apuramos que vários médicos da cidade trataram gratuitamente das lesões mais graves. A velha história do amigo que tem um amigo que conhece um amigo voltou a resultar: análises clínicas eram feitas sem qualquer custo. E os armários estavam sempre repletos de ligaduras, vitaminas e medicamentos, como nos dias de glória.
Capítulo 7 – O relvado artificial
A relva do Bessa nunca mais foi a mesma desde a construção do estádio novo. Os entendidos defendem que os oito pisos em altura, a pique e à inglesa, mesmo em cima das quatro linhas, não deixavam o terreno de jogo respirar nem lhe deixavam o sol chegar em algumas partes. Já antes do declive desportivo e financeiro eram bem visíveis os diferentes tons de verde do tapete. Enfim, uma praga.
A empresa GlobalStadium apresentou uma solução a custo zero: “eles quiseram fazer do estádio do Bessa um showroom”. A solução passou pela colocação/oferta de um relvado artificial no Bessa, mais um sintético de futebol de 11 e outro de futebol de 7, para os treinos: “sem isso não havia Boavista! O clube tinha 22 equipas de futebol a competir”.
Capítulo 8 – Caricaturas
Centenas de jogadores passaram ao longo desta meia dúzia de anos pelos treinos de captação do Boavista. Nem todos chegaram à montra. Ficou na memória dos responsáveis axadrezados o dia em que um rapaz muito aguerrido, mas pouco habilidoso, divulgou a lista de clubes por onde tinha passado. Nomeou vários clubes de segunda linha, o treinador espantou-se, não o estava a ver com futebol para tanto. Então, o tal candidato a jogador do Boavista deixou cair o resto do currículo. “Joguei, mas em hóquei em patins”.
“Todos lá iam tentar a sorte”, recorda um boavisteiro do antigos.
Um investidor apareceu com a promessa de 90 milhões de euros, a seu tempo, a troco de um lugar no plantel para um internacional brasileiro pelas camadas jovens. O desespero financeiro aceitou o desafio, mas “quando ele deu um pontapé na bola” o avaliador de talentos viu “logo que ele nem sabia o que estava a fazer”. Um telefonema para a Confederação Brasileira de Futebol confirmaria todas as suspeitas. Aquele internacional brasileiro não existia em registo nenhum. Os 90 milhões de euros também não.
De episódio em episódio, a novela das multas atingiu os 32 mil euros.
32 mil euros em multas numa época. Era a última coisa que um clube em apuros precisava, mas foi assim mesmo que aconteceu. A despesa “off-budget”, cultivada na sua maioria pelos jogos realizados fora de casa, teve episódios com árbitros: “um árbitro disse que não cumprimentava nenhum jogador do Boavista, disse que nós andámos muito anos a mamar e que agora tinham de mamar outros”. E teve episódios com a polícia: “em Pombal a polícia carregou sobre os nossos jogadores. Eles estavam a levar com cadeiras e reagiram. E a polícia carregou”. Teve episódios com adeptos adversários: “gritavam corruptos! Não pagam a ninguém!”. De episódio em episódio, a novela das multas atingiu os 32 mil euros.
Prolongamento
A última vitória do Boavista na Primeira Liga aconteceu a 20 de abril de 2008, por 1-0, sobre o Nacional da Madeira, com golo de Diakité.
O último jogo do Boavista na Primeira Liga realizou-se no estádio de Alvalade, a 11 de Maio de 2008. O último golo do Boavista na Primeira Liga foi marcado por Ivan Santos, aos 4 minutos. O último resultado do Boavista na Primeira Liga foi uma derrota por 2-1 com o Sporting, Romagnoli e Tiuí marcaram para os leões ainda durante o primeiro tempo. Na sua última classificação na Primeira Liga o Boavista ocupou a 9ª oposição, com 36 pontos. O último árbitro a apitar um jogo do Boavista na Primeira Liga foi Artur Soares Dias.

A Voz da Pantera: Crónica Semanal




10 Jogos: 10 Pontos... Uma média que nos permite ter ESPERANÇA


Uma jornada cujos objetivos foram cumpridos. Conseguir os 3 pontos num jogo com um adversário direto, que valeram por 6, é vital.

Uma média de 1 ponto por jornada, com todos os condicionalismos que envolvem este regresso do Boavista à Primeira Liga, tem que se considerar dentro dos objetivos reais para esta época, de manter o Boavista no escalão principal do Futebol Português.

Se atentarmos que já  se defrontou os 7 primeiros classificados, os Boavisteiros devem sentir-se felizes pela pontuação já alcançada. Aliás, demonstram-no no apoio constante à equipa. Os jogadores sentem-se estimulados com o reforço psicológico que vem das bancadas, apoio esse que tem sido também a forma dos adeptos contribuírem com a sua quota parte, para o sucesso desta nova equipa.


As exibições não têm sido convincentes, a equipa ainda não se encontrou, a exigência e o peso das camisolas é enorme, ainda para mais num clube com o passado e a história do Boavista, que só nos 3 grandes é suplantada.

Podemos ter a certeza que este campeonato vai continuar a ser uma luta difícil, para assegurar a manutenção, mas a equipa esforça-se e empenha-se, entrega-se ao jogo, não regateia esforços. 

Neste jogo com o Penafiel criou várias oportunidades de golo, obrigou o Guarda-Redes adversário a fazer uma exibição que o cotaram como o melhor jogador do Penafiel, senão o melhor em campo.
A paragem do campeonato, traz-nos a segunda mão da Taça da Liga onde temos obrigação de ganhar, e entrar na 3ª fase da competição, para ganhar moral para o reinicio do campeonato.

Aproxima-se um ciclo de jogos difíceis, acreditamos que se amealhem mais uns pontinhos para que as contas finais nos sejam favoráveis.


A Voz da Pantera


A Voz da Pantera: Crónica Semanal (05/11/14)





Jogo com o Penafiel (de máxima importância) e a formação do 

Mágico Xadrez


No Restelo assistiu-se a uma exibição do Boavista ao nível do que a equipa tem feito fora de casa esta época: fragilidades defensivas;  golos dos adversários resultantes de erros individuais ou coletivos dos defesas, etc. Há mais demérito do Boavista do que mérito dos adversários, que demonstram falta  de qualidade (particularmente os centrais), jogue quem jogar, as  deficiências mantêm-se. 


As equipas constroem-se de trás para a frente. Aqui tem sido o calcanhar de Aquiles deste Boavista: 12 golos consentidos nos últimos 4 jogos, é um registo bastante negativo. É a equipa com mais golos sofridos fora de casa (13), e com menos golos marcados (1), nestas 9 jornadas. 


Os jogadores lutam e entregam-se ao jogo, mas uma equipa em construção, constantemente em reorganização, em que estão constantemente a chegar jogadores, e, pelo que se vê, alguns não estão nas melhores condições físicas, aliados a falta de maturidade e experiência de alguns, carências que são mais que evidentes. Mas é com estes jogadores, pelo menos até Janeiro, que o Boavista tem para dar resposta ao campeonato.  


Nestes 9 jogos há a atenuante de o Boavista já ter jogado em Braga, Vila do Conde, Guimarães, Belém e Dragão, campos difíceis, assim como também já ter defrontado os dois principais candidatos ao titulo, Porto e Benfica, para uma equipa sem experiência de 1º Liga não é fácil a tarefa. 


Agora há que investir tudo com o Penafiel, este é um jogo que vai determinar muito do que o Boavista pode conseguir no futuro. No jogo da próxima jornada joga-se muito do futuro do Boavista nesta 1º liga, a vitória é o caminho para um futuro mais risinho, é possível e vai ser com certeza determinante. 


Em relação ao futebol de formação, tem vindo a recuperar o estatuto que o Boavista no passado teve, com esforço e dedicação dos seus dirigentes e técnicos, têm dado uma resposta que bem merece o apoio e respeito de todos. 
Uma palavra para a equipa de juniores que esta época regressou à 1ª divisão, terminou a 1ª volta com  aspirações legitimas que alimentam  a possibilidade de estarem presentes na fase final da competição, o que para este regresso ao maior escalão do futebol júnior, seria um feito que premiava o trabalho de todo o departamento. 


O Boavista com esforço, empenho e apoio de todos, vai voltar aos caminhos de sucesso do passado. 


A VOZ DA PANTERA